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Não sei o que estou sentindo: começando a nomear o que se sente

  • Foto do escritor: Aline Moreira
    Aline Moreira
  • há 2 dias
  • 2 min de leitura

Dar-se conta de que algo não vai bem, mesmo quando se pensa "não sei o que é isso que estou sentindo", é desconfortável, estranho e infamiliar. Nesses momentos, é comum acharmos e dizermos, prontamente a nós mesmos, que “não é nada demais”, que estamos “exagerando” ou que “não está tão ruim assim”. Se repararmos bem, essas frases já denunciam que alguma coisa, mesmo que nas entrelinhas, não está funcionando bem. Ao menos não como funcionava antes.


Mas, até o momento de se dar conta disso, muitos incômodos e desconfortos foram soterrados pelo caminho: são rejeitados, ignorados, inviabilizados e carregados juntos com a frase âncora - que costuma vir logo em seguida: “tá tudo bem; não é nada”.


mulher sozinha em um local isolado, usando um vestido vermelho, introspectiva sobre si mesma

Nesse movimento, não conseguimos perceber que entre o incômodo e sua negação imediata, faltou algo importante: as perguntas. Os questionamentos, sejam nossos ou vindos de outros, são capazes de nos fazer pensar “por que será que mesmo dizendo que não é nada, ainda não me sinto bem?”


Porém, nos momentos difíceis, a virada para se permitir abrir para as perguntas e se implicar nos questionamentos, pode parecer impossível alcançar; porque depois das perguntas vêm as tentativas de respostas. E como tentar responder algo que não foi possível sequer formular uma pergunta?


Esse processo é ainda mais desconfortável quando se está lidando com alguma questão sensível, em um momento de muito sofrimento e, muitas vezes, até de adoecimento. Nesse circuito que, à primeira vista, parece fechado e inacessível, o analista pode ocupar uma posição muito particular: a de te direcionar essas perguntas e tensionar, com você, algumas respostas - e tantas outras perguntas também. 


Não é um primeiro passo fácil. Começar uma análise e uma terapia pode ser muito difícil, mas pode ser uma saída alternativa para além desse caminho habitual, que é muito dolorido e não produz algo diferente. Um processo analítico/terapêutico não é simples, nem fácil. Ele também pode vir com uma certa dose de desconforto: o de sair de um lugar já conhecido e construir outro. 


Quanto a isso, não se deve iludir ninguém. Mas esse processo não é, definitivamente, solitário nem vazio. Ele pode ser muito potente e, para cada um, à sua maneira, transformador. Às vezes, um início se dá justamente quando algo que não encontrava lugar começa a poder ser dito. E, para isso, pode ser importante não estar só.



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